17.ª Conferência Lusófona de Ciência Aberta debate o impacto da Inteligência Artificial na ciência
Sapiensphera
A comunidade lusófona da Ciência Aberta volta a reunir-se em outubro. A 17.ª edição da Conferência Lusófona de Ciência Aberta (ConfOA2026) decorre de 6 a 9 de outubro, na Universidade do Algarve, em Faro, sob o tema “Ciência Aberta na Era da Inteligência Artificial”.
A ConfOA é organizada desde 2010 pelos Serviços de Documentação e Bibliotecas da Universidade do Minho, pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT). Em 2026, a organização conta ainda com a Universidade do Algarve como anfitriã. O evento junta, todos os anos, investigadores, bibliotecários, gestores de repositórios e decisores de política científica de Portugal, do Brasil e dos restantes países de língua portuguesa, com o objetivo de discutir o acesso aberto à informação científica e a gestão de dados de investigação.
Um tema que acompanha o momento da ciência
A escolha do tema para 2026 não é acidental. Nos últimos dois anos, a Inteligência Artificial generativa passou a fazer parte do quotidiano da investigação científica — desde a escrita e a revisão de artigos até à curadoria de dados e à deteção de fraude académica. Essa transformação levanta questões que a própria comunidade da Ciência Aberta já discute noutros fóruns internacionais: quem garante a transparência dos modelos usados na ciência, como se preserva a integridade da investigação quando parte do trabalho é assistida por máquinas, e que políticas institucionais são necessárias para regular esse uso.
Segundo a organização, os temas centrais da conferência incluem a ética, a transparência e a responsabilidade no uso de Inteligência Artificial, a governação de dados apoiada por IA, o impacto de bots de IA nas infraestruturas de informação científica — como repositórios e plataformas de publicação — e a regulamentação legislativa aplicável a estas ferramentas. Além do eixo dedicado à Inteligência Artificial, a conferência mantém as áreas que sempre a caracterizaram: acesso aberto e dados de investigação abertos, repositórios digitais, revistas científicas de acesso aberto, preservação digital e gestão de informação em ciência e tecnologia.
Dois oradores convidados
A edição de 2026 traz dois oradores internacionais ligados à interseção entre ciência aberta, avaliação da investigação e Inteligência Artificial. Ludo Waltman é diretor científico do Centre for Science and Technology Studies (CWTS) da Universidade de Leiden e copreside o Research on Research Institute, um dos centros de referência mundial no estudo de como a ciência é avaliada e financiada. Ricardo Limongi, doutorado em Administração pela FGV-SP com estágio doutoral na Universidade de Cornell, é editor-chefe da revista BAR (ANPAD) e professor de Marketing e Inteligência Artificial na Universidade Federal de Goiás.
Workshops práticos, com inscrições abertas
Antes das sessões plenárias, a manhã dos primeiros três dias de conferência é reservada a workshops presenciais, organizados em paralelo. O programa inclui sessões sobre documentação de dados de pesquisa para torná-los legíveis por máquinas e humanos, implementação dos princípios FAIR por área disciplinar, geração de indicadores de Ciência Aberta a partir do OpenAlex, métricas e ferramentas do projeto OSTrails para repositórios de dados, e duas sessões dedicadas especificamente ao uso de Inteligência Artificial: uma sobre a IA como assistente de pesquisa — cobrindo literacia, ética e direitos de autor — e outra sobre o uso de IA na prática da investigação científica.
As vagas para os workshops são limitadas e as inscrições já estão abertas, tal como a inscrição geral na conferência, que é gratuita.
Porque interessa à comunidade lusófona
Para investigadores, editores e gestores de repositórios de língua portuguesa, a ConfOA continua a ser um dos poucos espaços onde estas discussões acontecem inteiramente em português — as propostas submetidas à conferência só são aceites nesse idioma, precisamente para reforçar o papel do português como língua de ciência. Num momento em que a maior parte do debate sobre IA e ciência aberta é conduzido em inglês, a conferência oferece um ponto de encontro para que a comunidade lusófona discuta estas mudanças nos seus próprios termos e a partir das suas próprias prioridades.
Como participar
A inscrição na ConfOA2026 é gratuita e pode ser feita através da plataforma da FCCN. Todas as informações sobre o programa, os workshops e a logística em Faro estão disponíveis no site oficial da conferência.
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